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RPG, arte e o portão da Terra do Nunca – Parte IV
mczanini — qua, 09.07.2008 - 17:22
[Este artigo está em desenvolvimento. Leia também: Parte I, Parte II, Parte III, Parte V e Parte VI.]
Para crescer e abandonar a Terra do(s) Nunca(s), o RPG nacional precisa trilhar a estrada da arte e se transfigurar, o que não é um empreendimento dos mais fáceis. Creio que, à semelhança do que ocorreu com o romance e o cinema, três elementos são imprescindíveis para promover os avanços necessários: profissionalização, teoria e crítica. Pretendo abordar brevemente cada um deles, mas é bem possível que sejam necessários alguns desdobramentos em artigos futuros.
Profissionalização
- Construções como “os Fomorianos foram formalmente formados em...”, “eventualmente ele quebrou a perna” ou “os anões são grandes artesãos e muito ingênuos” indicam problemas de redação, tradução e normalização.
- A característica que, na página X, foi traduzida por Zubes e, na página X+32, aparece como Zubeca ou, pior ainda, Fumbum, denota lapso do tradutor, mas, principalmente, erro na normalização.
- Texto truncado ou coberto por imagens, ilustrações fora de lugar, títulos e cabeçalhos que não correspondem ao texto da seção: tudo isso indica problemas na diagramação e também na revisão de provas, que deixou esse tipo de coisa passar batido.
- Erros tipográficos, como “um folha” ou “setenbro”, ou então divisão silábica incorreta ao final da linha, apontam erros de revisão de provas.
Mas, voltando ao assunto e, como não estamos mesmo nos Estados Unidos, e sim em nossa Terra do Nunca Brasilis, o que podemos fazer para deixar a fase heróica para trás de uma vez por todas? Creio que o RPG de mesa, que tem como suporte a palavra impressa, nunca foi e dificilmente será um fenômeno de massa. Desde a origem, o RPG como o conhecemos é uma prática que se restringe a uma subcultura. Portanto, não vejo como atrair profissionais gabaritados para esse segmento editorial tão cedo. Creio que cabe aos amadores (na acepção original da palavra: aqueles que fazem algo por amor) se conscientizar que eles terão de se profissionalizar, e mais, ajudar as gerações futuras a seguir a trilha que eles abriram.
Para sairmos todos da Terra do Nunca, alguém vai ter de jogar a chupeta fora e crescer.


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