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RPG, arte e o portão da Terra do Nunca - Parte II
mczanini — qui, 22.05.2008 - 15:26
[Este artigo está em desenvolvimento. Leia também: Parte I, Parte III, Parte IV, Parte V e Parte VI.]
Bem que eu queria que fosse só mais uma classe de personagem, monstro ou antagonista, mas a sininho é realmente um problema. No cenário do RPG brasileiro, uma verdadeira Terra do Nunca, ela é quase onipresente, independente de gênero, raça, credo, orientação sexual ou filiação partidária. Circula entre jogadores, Mestres, blogueiros, freqüentadores de fóruns e comunidades online e mesmo entre os chamados profissionais da área: enfim, uma praga.[1] Há sininhos para todos os gostos também, e, se as “estatísticas” diferem de umas para outras, o comportamento é sempre padrão:
- Arrogância exagerada e, geralmente, justificada apenas pela vaidade. As sininhos "se acham". É o jogador que participou de, sei lá, quatro sessões de jogo, e já acha que pode ditar a uns e outros qual é a maneira correta (hein?) de jogar RPG. É o Mestre que só conhece um sistema/cenário e já acha ter visto o mundo, além de defender com unhas e dentes o dito sistema/cenário como a melhor coisa já publicada nesta e em outras dimensões. É o autor que enche a boca para falar de "cosmogonia tolkieniana" sem nunca ter lido O Silmarillion. E o que dizer do sujeito indignado com a presença de palavras como "nênia" e "obliterar" numa suposta tradução "rebuscada" e "arcaica" quando esse mesmo sujeito acha que Roswell foi um dos presidentes dos Estados Unidos e Nuremberg, um escritor famoso? São criaturinhas que, em vários casos, leram uma ou duas coisas na vida, geralmente na internet (que, como todos sabem, é uma fonte "confiabilíssima" de informações), ou então só ouviram falar. Mas, para a sininho, isso já é uma experiência de longos anos, um conhecimento enciclopédico.
- Agressividade. As sininhos estão sempre no ataque (som de dados "rolando"...). Torcem muito e até esperam por um acerto crítico; afinal, elas "se acham". As mais articuladas tentam arrotar sabedoria; afinal, são tão bem-informadas, não é mesmo? Muitas já partem de cara para o sarcasmo ou o xingamento (veja, a seguir, a "sininho-plus-pus"). É a RPGista que morou seis meses na Flórida, costuma trocar "ç" por "ss" quando escreve alguma coisa e grita para quem quiser ouvir, e também para quem não quer, que a tradução correta (hein?) de redcap é bicho-papão. É a colaboradora de revista especializada que escreve um monte de abobrinhas sobre um RPG que nunca jogou — sequer entendeu a proposta do livro —, faz pouco do material e chama sua "obra" de resenha crítica.
Mas as sininhos também têm suas vulnerabilidades. Costumam esquecer que sempre há alguém lá fora que sabe um pouco mais do que elas sobre um determinado assunto; partem para o ataque deixando os flancos completamente descobertos, vulneráveis a um contra-ataque. Feroz e ferino, sim, mas de uma ferocidade ilustrada, por assim dizer. Para calar a grande maioria das sininhos, basta demonstrar que os argumentos delas estão fundamentados na vaidade e na arrogância, que sua agressividade é infantil e desnecessária. Que suas invectivas simplórias serão combatidas, sem vulgaridades, com a apresentação contundente de argumentos objetivos, bem-fundados e esclarecidos.
A grande maioria, mas nem todas. Porque há pelo menos uma subespécie, a sininho-plus-pus, que continua agredindo mesmo depois de desbancada. Ela não se dá por vencida. No entanto, o que geralmente acontece é que, depois de tomar uma rasteira bonita, de levar na cara um argumento arrasador e incontestável, a sininho-plus-pus apela para ataques pessoais. Ela já não tem mais o que dizer e só lhe resta agora tentar desqualificar seu interlocutor. Essa estratégia, aliás, é muito velha: os gregos já a conheciam quinhentos anos antes da era cristã. A sininho-plus-pus geralmente xinga o oponente de burro, incompetente, ridículo; ou então inventa grossas mentiras, grita que é RPGista há não-sei-quanto-tempo, que seus dois fios de cabelo brancos merecem mais respeito, mesmo que até então não tenha sido desrespeitada, só contestada.
E se houver uma platéia, então... Vixe Maria! A sininho vai tentar a todo custo "ganhar a multidão", criar uma legião de baba-ovos para defendê-la. Assim ela poderá se retirar da luta franca e ficar na retaguarda, vendo a arena pegar fogo. O pior é que, muitas vezes, ela consegue o que quer.
A pena só é mais forte que a espada em sociedades de NT 2+.
Notas:
[1] Se não ficou claro ainda, explico melhor agora: não estou fazendo generalizações, não estou dizendo que todo RPGista é sininho. Estou apenas afirmando que vários RPGistas se comportam dessa maneira. Aliás, todos os exemplos citados neste artigo são FICTÍCIOS. Não pensei em nenhuma pessoa em particular ao redigi-los e peço ao leitor que não tente adivinhar “de quem estou falando”, porque não estou falando de ninguém em especial, e sim de um arquétipo.
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Phil Souza
http://dadoslimpos.criandorpg.com/
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mczanini — ter, 24.06.2008 - 23:39Hmm, texugos no RPG? Do tipo: badger, badger, badger, badger,... mushroom, mushroom... a snake, a snake?
Agora fiquei curiosa, Phill.